Eu amo tudo o que foi, Tudo o que já não é, A dor que já me não dói, A antiga e errônea fé, O ontem que dor deixou, O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa, 1931.
 Numa ânsia de ter alguma coisa, Divago por mim mesmo a procurar Desço-me todo, em vão, sem nada achar, E a minh'alma perdida não repousa.
Nada tendo, decido-me a criar: Brando a espada: sou luz harmoniosa E chama genial que tudo ousa Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo... E cinzas, cinzas só, em vez de fogo... - Onde existo que não existo em mim?...
Um cemitério falso sem ossadas, Noites d'amor sem bocas esmagadas - Tudo outro espasmo que princípio ou fim...
Escavação Mário de Sá-Carneiro
Escrito por Gata de Botas ?s 06h44 AM
[]
[envie esta mensagem]
|
DETALHE

"Amanhã.
Talvez amanhã eu escreva um poema singelo.
Talvez amanhã eu acorde curada e possa escrever um poema saudável.
Por enquanto continuarei coçando as feridas, curando as vírgulas e cuspindo sangue."
Daniela Boccaccia Versiani no livro"A matemática da formiga"
Escrito por Gata de Botas ?s 05h14 PM
[]
[envie esta mensagem]
|
RETROSPECTIVA
Mariza Tavares
Eu sabia que não ia dar certo
( não era para dar certo desde o começo ).
Eu sabia que você era menos
Que não tinha o mesmo fôlego
Que não padecia da mesma curiosidade que move
o mundo.
Mas eu queria um par
como eu queria um par
que fosse como um espelho
que risse das mesmas coisas
nas mesmas horas.
Então fiquei cega
acho que também fiquei muda
e até burra
( só uma mulher sabe como ficar burra
quando quer ).
Claro que não deu certo
mas eu agradeço
pelo exercício de generosidade a que me submetí.
Porque agora enxergo um pouco melhor
e até me sinto pronta
para um novo exercício de cegueira
de mudez
de burrice , até.
Escrito por Gata de Botas ?s 11h33 PM
[]
[envie esta mensagem]
|
Não conhecer seu corpo
mas sabê-lo possível
possível a viagens
que não as minhas.
Como te dizer
por exemplo:
Vem amiga; dar-te-ei a tua ceia
e a comida que acaso desejares
e algum poema que ilumine os ares...
Pactuo com meu poema
como os olhos pactuam
com a coisa observada.
Se essa coisa for um pêssego
tua presença numa tarde de chuva
ou teu silêncio adamascado
sei que
(por um momento)
tudo estará presente
e ressuscitado.
Neide Archanjo
Escrito por Gata de Botas ?s 08h40 AM
[]
[envie esta mensagem]
|

Escrito por Gata de Botas ?s 05h50 AM
[]
[envie esta mensagem]
|
Eu te vejo sair por aí Te avisei que a cidade era um vão - Dá tua mão - Olha pra mim - Não faz assim - Não vai lá não
Os letreiros a te colorir Embaraçam a minha visão Eu te vi suspirar de aflição E sair da sessão, frouxa de rir
Já te vejo brincando, gostando de ser Tua sombra a se multiplicar Nos teus olhos também posso ver As vitrines te vendo passar

Na galeria Cada clarão É como um dia depois de outro dia Abrindo salão Passas em exposição Passas sem ver teu vigia Catando a poesia Que entornas no chão
Chico Buarque
Escrito por Gata de Botas ?s 08h58 PM
[]
[envie esta mensagem]
|
Não fala nada Deixa tudo assim por mim Eu não me importo se nós não somos bem assim É tudo real nas minhas mentiras E assim não faz mal E assim não me faz mal não Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno Eu te imagino Eu te conserto Eu faço a cena que eu quiser

Eu tiro a roupa pra você Minha maior ficção de amor E eu te recriei só pro meu prazer Só pro meu prazer Não vem agora com essas insinuações Dos seus defeitos ou de algum medo normal Será que você não é nada que eu penso? Também se não for não me faz mal Não me faz mal não Noite e dia se completam no nosso amor e ódio eterno Eu te imagino Eu te conserto Eu faço a cena que eu quiser Eu tiro a roupa pra você Minha maior ficção de amor E eu te recriei só pro meu prazer Só pro meu prazer...
Leoni
Escrito por maria.maya ?s 08h50 AM
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|



|
Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Viagens, fotografia
|
|