Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar a boca de um jeito que te faça rir

Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz
 
Madonna - Introspective Print on Canvas

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje
 
by Jota Quest



Escrito por Gata de Botas ?s 05h55 AM
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  Você provocou
  Tempestades solares no meu coração
    Com as mucosas venenosas de sua alma de mulher
Circle of Clouds Art Print by Richard Calvo

Você faz o que quer

Você me exasperou

Você não sabe viver

onde eu sou

Então adeus ou seja outra: alguém que aguente o sol

 
Caetano Veloso - Tempestades Solares 

 



Escrito por Gata de Botas ?s 05h33 AM
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Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tú és já toda a minha vida!
 
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
 
Black Cat Looking Out a Window Photographic Print by Robert Ginn
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus:
Princípio e Fim!
 
Florbela Espanca


Escrito por Gata de Botas ?s 06h43 AM
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"Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a Baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conhecí Teresa, Caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, sentí que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escreví as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou...

Feminine Landscape Poster

Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração.

Feminine Landscape PosterFeminine Landscape PosterFeminine Landscape Poster

Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas. Moças entravam e saiam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para adiante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa..."

 
do romance BUDAPESTE-Chico Buarque

 



Escrito por Gata de Botas ?s 07h01 AM
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(não é à toa que eu adoro essa Fernanda)

Para o amor perdido

(Fernanda Young)

Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava.
Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.
Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro.
Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein?
Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.

Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu.
Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos.
Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande,
possa ter desaparecido com tanta facilidade.
 
Love Letter Art Print by April S. White

Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas.

Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas.

 Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente,

 num cafona português polido, soam mais sensatas. 

Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento.

Quando o que devia ser alívio revela-se angústia.

E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.

Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe.

 E hoje, cercada pela sua ausência,

 procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida.

Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira,

 vale a pena encontrar um outro?

Será inteligente apostar tanto de novo?

Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo.

Que seguiu sua vida tranqüilamente,

como se nada de tão importante tivesse ocorrido.

E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula.

Você, redundante como sempre.

Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua.

 É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas.

 Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos.

Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos.

Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá,

você acabar pensando tolices parecidas com estas,

escreva também uma carta.

Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer,

sei que ela fará de mim menos ridícula.

Neste amor e, por isso, em todo o resto.

Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta

é um ato de desmedida coragem.

 E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado.

Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.
 
Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus.

 Termino aqui essa história, de minha parte,

contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti.

E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável.

 Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.



Escrito por Gata de Botas ?s 04h10 PM
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Just like a star across my sky,
just like an Angel off the page,
you have appeared to my life,
feel like I'll never be the same,
just like a song in my heart,
just like oil on my hands,
Oh... I do love you,

DJ Art Print by Maggie Heinzel-Neel

Still I wonder why it is,
I don't argue like this,
with anyone but you,
we do it all the time,
blowing out my mind,

You've got this look I can't describe,
you make me feel like I'm alive,
when everything else is a fade,
without a doubt you're on my side,
heaven has been away too long,
can't find the words to write this song,
Oh.... your love,

Still I wonder why it is,
I don't argue like this,
with anyone but you,
we do it all the time,
blowing out my mind,

I have come to understand,
the way it is,
It's not a secret anymore,
'cause we've been through that before,
from tonight I know that you're the only one,
I've been confused and in the dark,
now I understand,
Yeah-yeah

I wonder why it is,
I don't argue like this,
with anyone but you,
I wonder why it is,
I won't let my guard down,
for anyone but you
we do it all the time,
blowing out my mind,

Just like a star across my sky,
just like an Angel off the page,
you have appeared to my life,
feel like I'll never be the same,
just like a song in my heart,
just like oil on my hands.

                                               Corinne Bailey - Like A Star

 


Escrito por Gata de Botas ?s 04h48 AM
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