Medo de amar nº 2 (Sueli Costa e Tite de Lemos)
"você me deixa um pouco tonta assim meio maluca quando me conta essas tolices e segredos e me beija na testa, e me morde na boca e me lambe na nuca você me deixa surda e cega você me desgoverna quando me pega assim nos flancos e nas pernas como fosse o meu dono ou então meu amigo ou senão meu escravo

e eu sinto o corpo mole e eu quase que faleço quando você me bole e bole e mexe e mexe e me bate na cara e me dobra os joelhos e me vira a cabeça
mas eu não sei se quero ou se não quero esse insensato amor que eu desconheço e que nem sei se é falso ou se é sincero que me despe e me vira pelo avesso
não eu não sei se gosto ou se não gosto de sentir o que eu sinto e que me atormenta e eu confesso que tremo desse sentimento que de repente chega e que me ataca e assim me faz perder-me e nem saber se esses carinhos são suaves ou velozes se o que escuto é o silêncio ou se ouço vozes..."
Escrito por Gata de Botas ?s 11h42 PM
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No dia em que a gente se despediu - não sei se você reparou - quem me olhasse ia pensar que nada de diferente estava acontecendo com o meu destino. Eu me mantive impávida, aparentemente feliz, sorrindo até, aliviada, como alguém que viu as coisas acontecendo do jeito que era pra acontecer. Você foi embora. Eu fui embora. Cada uma pro seu canto. Pra sua vida. Não mais dividida.
Na primeira noite sem você, talvez porque estivesse exausta até nas emoções, eu dormi como um anjo e feito pedra. Preguiça de acordar de manhã e suportar o resto da existência, mas achei melhor fingir que não era comigo e levantei-me com a cara igual a de todo o dia. Desconfio que as horas estavam meio difíceis de passar, parecia que o relógio estava com defeito e inventei um monte de coisas pra empurrar o tempo.
Foi assim na primeira semana sem você. E na segunda também. Fui inventando mais coisas, arrumei gavetas, pintei as unhas de vermelho, cortei os cabelos, aprendi novas receitas, fiz bolo de amêndoas, torta de morango e licor de piqui, comprei duas tartarugas, nove peixes no aquário, plantei amores-perfeitos no jardim, rasguei todos os meus panos cor-de-rosa e comecei a estudar geografia. Pra entender as distâncias.
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De lá pra cá eu não sei dizer com certeza.
Não sei mais quanto tempo se passou desde então. Tem hora em que eu cismo que me falta pedaço. Não sei se acontece mais quando eu acordo ou quando eu vou dormir. Às vezes tropeço na falta de um pé. Outras vezes não seguro o copo por falta da mão. Não olho no espelho. Não abro as janelas. Não acendo a luz. Não sei se é noite ou se é dia. Dei pra sentir o seu cheiro no ar. Seu gosto passou pra minha comida. Sua voz toca nas estações do rádio e nos meus Cds. Seu rosto aparece nos canais da televisão. Mesmo quando falta energia elétrica.
(Não sei se foi) Ontem, eu rolei na cama comendo bombom de cereja na sua boca e apertando, com as minhas coxas, suas mãos remexendo em mim. (Nem sei se foi) Na quarta-feira, enquanto eu rebolava e você me inundava corpo adentro no meio dos seusmeus ais de paixão, alucinada eu lambi seu suor, engoli você inteira. Tenho a impressão de que bebemos duas garrafas daquele vinho naquela seguinte noite. Todo dia continuo a gemer e a sentir arrepios toda vez que você levanta a minha saia. E, se não me falha a memória, ainda suspiro de tanto ciúme do que não sei de você.
Sua ausência me sobra. Isso me dilacera o corpo e a alma. Deve ser por isso que às vezes eu choro. Outras vezes eu rosno. Mas tem dia em que eu uivo. Mesmo quando falta lua-cheia.
(Os Sintomas - Silvana Guimarães)
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Escrito por Gata de Botas ?s 05h10 AM
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Poema do Fanático
Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter,
sou o embriagado de ti e por ti.
Mil dedos me apontam na rua:
eis o homem que é fanático por uma mulher.

Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim
porque eu amo tudo o que vem de tí.
Amo-te na tua miséria e na tua glória
e te amaria mais ainda se sofresses muito mais.
Caíste em fogo na minha vida de rebelado.
Sou insensível ao tempo-porque tu existes.
Eu sou fanático por sua pessoa,
da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida.
Eu quisera formar uma unidade contigo
e me extinguir violentamente contigo na febre da minha,
da tua, da nossa poesia.
Murilo Mendes
Escrito por Gata de Botas ?s 06h28 AM
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Foto by Cora Büttenbender
"Não me percas, por favor, não me percas. Não deixes que se afaste de mim esse lugar incerto e vago que substitui meu corpo quando perto do teu. Não percas meus olhos, ou a minha boca, ou meus seios, das formas e delicadezas que me compuseste, nem me faça violar meus sentidos longe da tua pele e dos teus líquidos, nem meus gestos longe dos teus olhos. Não me percas, por favor, não me percas. Não permitas que eu me desprenda dos teus cabelos, que teu nome seja um silêncio triste em minha boca, que meus dedos esqueçam a medida do teu dorso. Não me percas, por favor, não me percas de mim."(Ticcia)
Escrito por Gata de Botas ?s 09h08 PM
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Até parece Que não lembra que não sabe O que passou Não faz assim Não faz de conta que não pensa Em outra chance pra nós dois Olha pra mim Não me torture, não simule Não me cure de você Deixa o amanhã dizer
(Marisa Monte, Dadi, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown)
Meia-noite
Meia-noite, meio estórias de vilões e de mocinhos. Meia-noite, a lua chora, Ao som de cães vadios!!
Meia-noite, rua deserta, Céu escuro, luzes acesas! Meia-noite, meia festa, Meia hora, meia feira!
Meia-noite, meia quadra, Ando em pensamento... Meia-noite, meia-calça, Você tira em silencio.

Meia-noite, meia taça, É o seu soutien... Meia luz, meia graça, Uma e meia da manhã!
Meia-noite, meio seu, Meio céu, meio sofrer. Meia-noite, meio EU, Meia-noite, todo VOCÊ!!!
Por Luis Lima
Escrito por Gata de Botas ?s 03h00 AM
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BRASIL, Centro-Oeste, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Viagens, fotografia
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